Portugal adotou e segue boas práticas não só no que diz respeito à gestão e eficiência energética, como também à produção e oferta de energias renováveis, tornando-se num caso de sucesso ao nível internacional. O próximo desafio a curto prazo será trazido pelas redes de baixa tensão, nomeadamente pelos concursos de concessão e pelos modelos de exploração, gestão e comercialização associados.

“Transformação Digital na Energia – As concessões de baixa tensão: oportunidades e desafios”

As concessões de baixa tensão são um tópico muito interessante e essencial para a evolução do sistema elétrico nacional, mas trazem consigo várias questões que têm que ser resolvidas antes de qualquer decisão: Conseguirá manter-se a uniformidade tarifária que existe atualmente no nosso país? Quais os princípios económicos que regem o próprio concurso? Há garantias de facilidade de acesso, de democratização e de transparência de mercado? Terão os municípios o nível de conhecimento adequado para gerirem esta rede de forma autónoma? Estas foram apenas algumas das principais mensagens deixadas na conferência “Transformação Digital na Energia – As concessões de baixa tensão: oportunidades e desafios” realizada pela ADENE – Agência para a Energia, no âmbito do “Portugal Smart Cities by Green Business Week”, no passado dia 12 de Abril.

As redes de baixa tensão são uma atividade economicamente muito eficiente que está a evoluir a um ritmo muito elevado. No entanto, o modelo de exploração, de gestão e de negócio associado a estas redes, em paralelo com a descentralização da oferta e da procura dos serviços coloca vários desafios a diferentes entidades desta cadeia de valor.

A pouco mais de um ano do arranque dos concursos, o custo da energia continua a ser uma das principais preocupações para o governo e para os consumidores. A harmonia tarifária é um objetivo nacional, mas é igualmente importante garantir o mesmo padrão de qualidade do serviço em qualquer ponto do país, algo que ainda hoje não acontece. Para assegurarem estas variáveis, as autarquias têm que ter acesso a toda a informação necessária para a boa gestão da rede e dos serviços prestados aos cidadãos.

O acesso à informação foi um dos tópicos mais debatidos na discussão, com as autarquias a queixarem-se de informação insuficiente e de problemas de acesso à mesma. As câmaras têm que perceber o potencial de exploração dos seus ativos antes de avançarem para projetos autónomos de comercialização, e tem que existir um forte apoio do governo e da entidade reguladora para que esta seja realmente uma oportunidade de crescimento para a economia nacional.

Informação no centro de toda a evolução

A informação é o elemento mais importante de todo o processo de transformação digital da energia. Esta foi uma das ideias mais destacadas por João Paulo Girbal, presidente da ADENE, durante a sua intervenção na conferência. Hoje em dia “o grande valor está na informação e no conhecimento que podemos tirar dela”. “É por isso que a ADENE quer transformar-se numa Knowledge Organization. O tratamento da informação é a chave disto tudo”, disse, justificando que através dos dados e da análise dos mesmos podemos desenhar estratégias mais eficientes que beneficiem não só os consumidores, mas também todos os intervenientes nesta cadeia de valor.

O Secretario de Estado de Energia falou ainda sobre os dois projetos da ADENE nesta área: o portal Poupa Energia, que compara todos os tarifários disponíveis de todos os comercializadores que existem em Portugal para eletricidade e gás natural, permitindo fazer simulações e identificar os melhores serviços para um determinado perfil de utilização; e o Observatório de Energia, um portal que torna mais simples e eficaz a experiência de leitura de todos os dados referentes à energia no nosso país, oriundos de diferentes fontes oficiais, e que mostra também o impacto das distintas políticas governativas e reguladoras na oferta energética em Portugal.

Tecnologias e inovação ao serviço da transformação energética

O debate focou ainda as novas tecnologias como soluções imprescindíveis para a evolução e gestão cada vez mais eficiente da energia. É preciso que haja investimento na evolução tecnológica e um forte compromisso entre todas as partes interessadas para que o país possa responder aos três grandes desafios que surgem ao nível global: o crescimento e a eficiência, a segurança para reduzir a dependência do petróleo e do gás natural, e a sustentabilidade para caminharmos para energias e formas de transformação energéticas mais amigas do ambiente.

A conferência terminou com a atribuição do prémio Personalidade Energylive 2018, que distingue personalidades que contribuíram inequivocamente para a dinamização do setor da energia em Portugal. O vencedor deste ano foi o Professor Vítor Santos, ex-presidente da ERSE e especialista em regulamentação dos serviços energéticos, uma área que tem colocado Portugal no mapa das boas práticas a nível europeu.