O futuro do turismo começa na forma como usamos a água e a energia

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Há uma pergunta que devemos fazer sempre que pensamos o futuro de um destino turístico: o que queremos deixar depois da passagem de quem nos visita?
No Alentejo e no Ribatejo, esta pergunta ganha uma importância particular. Temos um território extraordinário, feito de paisagens, rios, albufeiras, praias costeiras e fluviais, montado, vinhas, património e comunidades. Mas temos também recursos naturais que não são infinitos. E a forma como utilizamos a água e a energia é o que define cada vez mais o que pretendemos ser como destino turístico, na atualidade e no futuro.
A sustentabilidade não pode ser vista como uma obrigação, uma tendência ou um conjunto de regras que temos de cumprir. Tem de ser uma escolha estratégica. Sabemos isso há muito, mas no turismo é necessário aprofundar a integração destas premissas nas opções e medidas de política regional do setor.
Foi por isso que lançámos há três anos, em conjunto com a Universidade de Évora, o Observatório do Turismo Sustentável do Alentejo, plataforma que hoje monitoriza na região a forma como estes dois indicadores estratégicos nos ajudam a ser um melhor destino turístico.
Proteger a água é proteger a paisagem. É proteger a agricultura, a biodiversidade, as praias, os rios e as experiências que oferecemos a quem nos visita. Utilizar melhor a energia é reduzir o impacto do turismo, mas é também tornar as nossas empresas e os nossos destinos locais mais eficientes, resilientes e preparados para um futuro que será inevitavelmente diferente.
Tenho defendido que o Alentejo deve continuar a afirmar-se como um destino que compete pela qualidade e não pela quantidade. Isso significa também pensar a sustentabilidade como parte da nossa proposta de valor.
Acredito que temos uma enorme vantagem em relação a outros destinos, o que também aumenta a nossa responsabilidade: a sustentabilidade está inscrita na própria identidade da região. Está na relação secular das nossas comunidades com a terra, na cultura do montado, na produção agrícola e vitivinícola, na valorização dos produtos locais, na arquitetura que sabe dialogar com o território e numa forma de viver onde o tempo, o silêncio e a natureza ainda têm lugar.
O turismo no Alentejo e Ribatejo pode e deve ser um aliado dessa identidade.
Mas não basta pedir ao turista que poupe água ou energia. Temos de criar condições para que toda a cadeia turística faça melhor: empresas mais eficientes, edifícios mais sustentáveis, energias renováveis, reutilização da água, mobilidade mais limpa, redução do desperdício e uma maior valorização dos recursos locais. Por isso avançaremos em breve com iniciativas concretas em colaboração com os nossos parceiros e empresas, na senda do proposto no PREST – Plano Regional do Ecoturismo e da Sustentabilidade do Alentejo e do Ribatejo, que lançámos em 2024.
O verdadeiro sucesso de um destino não será medido apenas pelo número de turistas que consegue atrair, mas pela capacidade de continuar a ser desejado sem comprometer aquilo que o torna especial.
No Alentejo e no Ribatejo queremos receber mais pessoas, criar mais valor e gerar mais oportunidades para as nossas comunidades. Mas queremos fazê-lo sem hipotecar o território.
Porque o maior luxo de um destino turístico será, cada vez mais, aquilo que consegue preservar e entregar às gerações futuras.
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