Eficiência na Administração Pública: da gestão dos consumos à mudança de comportamentos

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A eficiência energética é hoje um dos grandes desafios da Administração Pública. Mais do que reduzir custos, trata-se de utilizar melhor os recursos, diminuir o impacto ambiental e assegurar uma gestão responsável e sustentável das instituições.
No Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), esta preocupação assume particular relevância. Com um campus de 52.000m2, onde diariamente decorrem atividades de ensino e investigação, os consumos energéticos são significativos. Mesmo durante a noite, cerca de 21% do consumo diário de eletricidade mantém-se, devido, sobretudo, ao funcionamento contínuo de equipamentos laboratoriais. Esta realidade demonstra a importância de conhecer os padrões de utilização antes de definir medidas de eficiência.
Foi com esta preocupação que o ISEP realizou uma auditoria energética ao campus, identificando oportunidades de melhoria e estabelecendo um plano de investimentos que contempla a substituição da iluminação por tecnologia LED, a modernização dos sistemas de climatização, a implementação de gestão técnica centralizada e a produção de energia fotovoltaica para autoconsumo.
Entre as medidas previstas destaca-se a instalação de uma UPAC de 450 kWp, que se encontra em fase de instalação. No seu conjunto, as intervenções projetadas apresentam um potencial de redução de cerca de 46,5% do consumo de energia primária e de 44,3% das emissões de CO₂.
Contudo, a eficiência energética não depende apenas da tecnologia ou da disponibilidade de financiamento. Depende também da capacidade das instituições para mobilizar as pessoas e promover uma cultura de utilização responsável dos recursos.
É neste contexto que ganha importância a campanha “Agir Local, Pensar Global”, lançada pelo ISEP em 2019. Através da sensibilização da comunidade académica, procuramos demonstrar que pequenos gestos quotidianos, quando assumidos coletivamente, podem produzir resultados significativos.
O programa ECO.AP constitui, neste percurso, um importante instrumento de orientação, planeamento e monitorização, incentivando as instituições públicas a conhecer melhor os seus consumos, estabelecer objetivos e avaliar resultados.
A experiência enquanto Gestor de Energia e Recursos (GER) reforçou a minha convicção de que esta função deve ultrapassar a dimensão técnica. É necessário sensibilizar, mobilizar, criar consensos e demonstrar que a eficiência representa simultaneamente responsabilidade ambiental, racionalidade económica e melhor gestão dos recursos públicos.
Enquanto escola de referência no ensino de engenharia, o ISEP tem ainda a responsabilidade de dar o exemplo, fazendo do seu campus um espaço de aprendizagem e demonstração de boas práticas.
A eficiência não se decreta. Constrói-se diariamente, com conhecimento, liderança e participação. E é precisamente essa cultura de responsabilidade coletiva que procuramos consolidar no ISEP.
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