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Artigo

Concretizar a economia circular em Portugal

25 de Setembro de 2026
Luísa Magalhães
Diretora Executiva, Associação Smart Waste Portugal

Tempo de leitura

4 minutos
“Temos a oportunidade de reduzir a pressão sobre os recursos e gerar valor económico. Cabe-nos agora assegurar que esta ambição se concretiza no terreno.”

A publicação do Plano de Ação para a Economia Circular 2030 (PAEC 2030) surge como uma oportunidade para reforçar a competitividade e a sustentabilidade do país. Já o seu impacto dependerá da capacidade de transformar as orientações estratégicas em mudanças concretas na forma como produzimos e consumimos os recursos.

A economia circular começa na conceção dos produtos: escolher materiais, garantir durabilidade e facilitar a reparação e a reutilização permite preservar o seu valor durante mais tempo. A reciclagem não perde importância, mas prevenir o desperdício e prolongar a vida útil dos bens também reduz a necessidade de extrair novos recursos. Para as empresas, esta abordagem pode diminuir a exposição aos custos, muitas vezes voláteis, das matérias-primas e abrir oportunidades de negócio.

O PAEC 2030 propõe uma intervenção transversal, que combina políticas nacionais, ações em cadeias de valor prioritárias e iniciativas nos territórios. Setores como a construção, o têxtil ou o agroalimentar têm um papel relevante nesta transformação. Nas cidades e zonas empresariais, as simbioses industriais permitem que os materiais resultantes de uma atividade sejam utilizados como recursos por outra, aproximando a circularidade da realidade local.

Na Smart Waste Portugal, consideramos prioritário criar condições para que estas soluções se tornem prática corrente. Na rede com mais de 150 associados, muitos identificam obstáculos à valorização de resíduos e à utilização de matérias-primas secundárias, ou seja, materiais recuperados que podem substituir recursos virgens. Simplificar procedimentos, com critérios claros e exigência ambiental, e estimular a procura destes materiais são passos fundamentais para tornar os projetos viáveis.

Esta mudança exige um financiamento acessível, incentivos adequados e previsibilidade para quem investe. As compras públicas podem ajudar a criar mercado para produtos duráveis, reparáveis e que incorporem materiais reciclados. É igualmente necessário capacitar as empresas, sobretudo as de menor dimensão, para repensarem processos e modelos de negócio e cooperarem com outras organizações.

Os cidadãos também precisam de condições para participar. Reparar um equipamento, reutilizar uma embalagem ou escolher um produto mais duradouro deve ser uma opção acessível. A educação nas escolas, as campanhas de sensibilização e a informação clara no momento da compra podem ajudar a compreender o impacto destas escolhas e a adotar hábitos de consumo mais responsáveis.

O sucesso do PAEC 2030 exige responsabilidades claras e indicadores que permitam avaliar resultados e ajustar o percurso. A avaliação intercalar prevista para 2028 será uma oportunidade para esse balanço. A Smart Waste Portugal continuará a trabalhar com os seus associados e parceiros para promover soluções circulares e disseminar conhecimento. Temos a oportunidade de reduzir a pressão sobre os recursos e gerar valor económico. Cabe-nos agora assegurar que esta ambição se concretiza no terreno.

Sobre o autor

Luísa Magalhães é licenciada em Engenharia do Ambiente pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa no ano de 2002 e obteve o grau de Mestre em Diagnóstico Ambiental pela Universidade de Cranfield, Reino Unido. É desde setembro de 2016 Diretora Executiva da Associação Smart Waste Portugal, tendo desempenhado anteriormente funções na área de comunicação e projetos com a Lisboa E-Nova – Agência Municipal de Energia e Ambiente, no Gabinete do Vereador responsável pelo pelouro de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa como Assessora e na Sociedade Portuguesa de Inovação, SA, onde exerceu funções de Consultora em projetos nacionais e internacionais.

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