eCIRCULAR – mais do que uma escala, um caminho para a competitividade

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Desenvolvido pela ADENE, o eCIRCULAR é o sistema nacional que permite avaliar, classificar e melhorar as práticas de gestão em economia circular. Traduz o desempenho numa escala de A+ a F e ajuda empresas e outras entidades a transformar dados dispersos sobre água, energia, materiais e resíduos, em informação útil para a tomada de decisão.
O ponto de partida: o que é a economia circular
Durante décadas, o crescimento empresarial assentou numa lógica linear – extrair, produzir, utilizar, descartar. Hoje, essa lógica é mais vulnerável perante a dependência de matérias-primas críticas, a volatilidade dos mercados energéticos e a escassez hídrica. Manter materiais em uso, valorizar subprodutos e reduzir consumos de água e energia são formas concretas de reduzir custos, riscos de abastecimento e dependências externas.
A economia circular parte da premissa de que os materiais devem permanecer em utilização o maior tempo possível e com o maior valor possível. O interesse para as empresas não se esgota na dimensão ambiental ou macroeconómica. Cada tonelada de matéria-prima, metro cúbico de água, quilowatt-hora e resíduo representam um custo. Num contexto de volatilidade de preços, instabilidade das cadeias de abastecimento, e maior exigência regulatória e dos clientes, a circularidade constitui um fator de competitividade e de resiliência, de gestão e de margem.
A maioria das organizações, porém, desconhece a sua posição de partida: que práticas já existem, onde estão as principais fragilidades e que medidas devem ser priorizadas para melhorar o desempenho circular.
O eCIRCULAR é uma inovação portuguesa que aplica à circularidade a abordagem já consolidada no domínio da energia: converter desempenho em informação útil à tomada de decisão.
A trajetória de uma PME
Para perceber como esta abordagem se traduz na prática, considere-se uma PME do setor metalomecânico, com 40 trabalhadores, na região Centro. O aumento da fatura energética e do preço da matéria-prima penalizava a margem. Em paralelo, os clientes passaram a solicitar informação ambiental e um aviso de financiamento valorizava a adoção de práticas circulares. Apesar da existência de boas práticas pontuais, a direção não dispunha de resposta para a questão essencial: qual o ponto de situação da organização?
Ano 0 — Diagnóstico. Um auditor eCIRCULAR independente avalia 26 questões relativas à gestão da água, da energia e dos materiais, bem como às estratégias e práticas da organização. O resultado traduz-se numa pontuação, numa classe e num documento de suporte: classe C, identificando o nível de desempenho e as oportunidades de melhoria.
Anos 1 e 2 — Implementação. Instalação de contadores parciais, encaminhamento de um subproduto para uma unidade situada a 15 quilómetros, introdução de critérios de circularidade nas compras e formação das equipas. São medidas mensuráveis e com reflexo direto nos custos.
Ano 3 — Renovação. Nova auditoria e nova classe: B. Redução da despesa com matéria-prima e gestão de resíduos, com o correspondente ganho de posição competitiva.
O eCIRCULAR no terreno
Um sistema de classificação só é credível se for suportado por um corpo técnico qualificado. A ADENE assegura a formação e capacitação de profissionais: até setembro de 2026, foram formados 41 gestores e 63 auditores eCIRCULAR, num total de mais de uma centena de técnicos com competências reconhecidas em economia circular.
Trata-se de um contributo para o desenvolvimento das competências verdes do país. Cada auditoria deixa conhecimento na organização: gestores habilitados a acompanhar indicadores, equipas capazes de analisar consumos e resíduos e uma linguagem comum para o diálogo sobre circularidade.
Os resultados acompanham esta evolução: 83 classificações emitidas e 624 medidas de melhoria propostas a organizações que operam em território nacional.
O enquadramento institucional da ADENE
À semelhança de outras agências de energia europeias, a circularidade integra o âmbito de atuação da ADENE. Depois da eficiência energética dos edifícios, da água com o AQUA+ e da mobilidade com o MOVE+, a Agência para a Energia aplica agora ao eCIRCULAR a mesma lógica: tornar mensuráveis, comparáveis e auditáveis as práticas de gestão em economia circular.
O eCIRCULAR não é uma iniciativa isolada. Está inscrito no Plano de Ação para a Economia Circular 2025-2030, é reconhecido no PNEC 2030 e, em 2025, foi distinguido com o 1.º Prémio Nacional dos European Enterprise Promotion Awards, uma iniciativa da Comissão Europeia, na categoria de apoio à transição sustentável.
Da consciência à ação: o próximo passo para as organizações
A circularidade alcança-se com método: medir, classificar, planear, agir e verificar, comunicando de forma credível o progresso junto de clientes, parceiros, financiadores e demais partes interessadas.
O eCIRCULAR disponibiliza às organizações, em particular às PME, um ponto de partida claro, um percurso verificável e uma demonstração credível do progresso alcançado.
Para as organizações, em especial as PME, que pretendam iniciar ou reforçar este percurso, o primeiro passo pode ser conhecer melhor o eCIRCULAR: visitar o site, frequentar a próxima edição do curso “Gestores e Auditores eCIRCULAR – Classificação em Economia Circular”, a 21 de outubro, ou agendar uma sessão de esclarecimento com a equipa da ADENE para compreender como o sistema se aplica à sua realidade e que oportunidades de melhoria pode ajudar a identificar.
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