Mobilidade sustentável no caminho para as cidades verdes

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Quando eu era uma criança, ainda na escola primária, representava as cidades com prédios, estradas, carros e fumo; e o campo com casas, árvores e animais. Três décadas depois, os meus filhos fazem o mesmo, mostrando que a imagem que temos do território pouco mudou e que a criação de cidades verdes ainda é incipiente.
A evolução para uma cidade verde pressupõe que os vários sistemas que a compõem (a mobilidade, a habitação, o comércio, os serviços, etc.) sejam mais sustentáveis. No caso da mobilidade, a implementação de um sistema sustentável, onde a eficiência ande de mãos dadas com as baixas emissões, é fulcral. Um sistema de mobilidade sustentável pressupõe que todos os indivíduos tenham acesso a exercer a sua mobilidade de uma forma simples, eficiente, acessível (física, cognitiva e financeiramente), e que possam escolher o modo de transporte que, sendo o menos prejudicial para o meio ambiente, é a sua melhor opção.
Para isso, os municípios devem repensar a mobilidade, centrando-a nas pessoas e não nos veículos. É essencial usar dados para compreender padrões de viagem, reforçar transportes públicos nas deslocações médias e longas e promover a mobilidade ativa nas curtas (viagens mais seguras, confortáveis, rápidas). Neste contexto, a elaboração de um Plano de Mobilidade Sustentável (PMUS) é imprescindível, porque permite às cidades planear de forma integrada, eficiente e orientada para as pessoas, em vez de reagirem de forma fragmentada aos problemas de mobilidade. Ao articular transportes públicos, mobilidade ativa e uso do solo, um PMUS contribui para reduzir congestionamentos, emissões poluentes e desigualdades no acesso à cidade, ao mesmo tempo que melhora a segurança rodoviária e a qualidade de vida urbana. Além disso, ao promover soluções mais sustentáveis e resilientes, ajuda a proteger infraestruturas face a fenómenos extremos, otimiza o investimento público e torna o espaço urbano mais inclusivo, acessível e funcional para todos os utilizadores.
As árvores e áreas verdes regulam a temperatura urbana, reduzindo o calor com sombra e evapotranspiração. Melhoram o conforto térmico e protegem infraestruturas da degradação causada pelo calor. Além disso, tornam os espaços mais agradáveis e seguros, incentivando a mobilidade ativa e uma melhor vivência do espaço público. Espaços urbanos mais verdes tornam-se mais convidativos e seguros, incentivando a mobilidade ativa, como caminhar ou andar de bicicleta, e promovendo uma vivência mais saudável e social das pessoas. [1]
Neste contexto, a construção de cidades mais verdes, e de uma mobilidade mais sustentável, passa por uma necessária mudança de hábitos e comportamentos, que conduzirão a uma nova organização das cidades, e à construção de uma paisagem urbana onde prédios, estradas e veículos se misturam com árvores, jardins e pessoas a circular.
[1] Lin, H., & Li, X. (2025). The Role of Urban Green Spaces in Mitigating the Urban Heat Island Effect. Sustainability, Volume 17, Issue 13
Jiyoung Kim, Abdou Khouakhi, Ronald Corstanje, Alice S.A. Johnston (2024). Greater local cooling effects of trees across globally distributed urban green spaces. Science of the Total Environment., Volume 911, ISSN 0048-9697
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