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3 Perguntas a...

Pedro Amaral Jorge

Presidente da Associação de Energias Renováveis

15.02.2022

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min. de leitura

Que valor tem para Portugal a ADENE estar na presidência da EnR?

A presidência da EnR por parte da ADENE é, claro, uma ótima notícia. O destaque de um organismo português na presidência de uma organização europeia é sempre muito importante para Portugal, já que demonstra a importância geoestratégica crescente do nosso país no contexto europeu e também extraeuropeu. Por outro lado, demonstra também a competência reconhecida à entidade escolhida, neste caso, a ADENE.

 

Quais os temas que gostaria de ver discutidos a nível europeu?

Numa altura em que as renováveis têm já um papel central na conceção e estratégia do setor energético no seu todo, existindo aliás já diversos regulamentos e diretivas europeias sobre o assunto, nomeadamente o pack “Fit for 55”, torna-se importante passar da palavra à ação.

Assim, diria que todos os temas que se relacionem com a implementação sustentável e economicamente viável de mais tecnologia renovável por todo o continente se tornam relevantes. Temas como o hidrogénio verde, a estratégia de autoconsumo, o licenciamento, a eficiência energética, a disponibilidade de rede, a evolução do preço da eletricidade estão já na ordem do dia e assim devem continuar, por forma a cumprirmos as metas a que os países pertencentes à União Europeia se comprometeram em conjunto.

 

Quais os maiores desafios para as energias renováveis em 2022?

Em primeiro lugar, referir que, apesar de tudo, 2021 foi um ano positivo para o nosso país no que toca ao desenvolvimento do setor renovável. Embora ainda insuficiente, houve um aumento da instalação de centros electroprodutores em Portugal, com mais 5,5 GW de eólica, 1,1 GW de solar, e 7,1 GW de hídrica.

Foi também positivo o aumento de incorporação de energia renovável na produção de eletricidade comparativamente ao ano anterior. Em 2020, 57% da eletricidade consumida teve origem renovável, ao passo que, em 2021, 65% da eletricidade consumida teve esta mesma origem, um avanço claramente positivo.

Já em 2022, destaco também o novo decreto-lei do Sistema Elétrico Nacional, promulgado em Conselho de Ministros, e que trará uma nova abordagem à transição energética e ao aumento de incorporação de eletricidade renovável no consumo, para a mobilidade, para os edifícios e para outras utilizações.

Porém, continua a ser fundamental aumentar o investimento por parte do Governo nas instituições públicas afetas ao processo de licenciamento de centros electroprodutores, nomeadamente na APA, da DGEG, da CCDR, do ICNF, entre outros. Esta questão, que já foi sublinhada pela APREN várias vezes, é fundamental para que possamos acelerar a transição energética, rumo também à independência energética, protegendo Portugal contra flutuações e aumentos dos preços de energia.

Neste ponto, é efetivamente preocupante o aumento dos preços de eletricidade no mercado grossista, que tem acontecido um pouco por toda a Europa, sendo, aliás, uma preocupação europeia e não exclusivamente nacional. No entanto, há um aspeto fundamental a ter em conta: o impacto positivo das renováveis na redução das tarifas de eletricidade para 2022.

O facto de termos incorporação de eletricidade renovável de fonte eólica e solar no mercado pode gerar, no decurso de 2022, um alívio tarifário para os consumidores superior a 500 milhões de euros, resultante dos preços de energia permitidos pelos produtores de eletricidade renovável com preço fixo.

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Sobre o entrevistado

CEO APREN, 200 empresas e organizações Geradoras de Energia Renovável, representando 92% de toda a capacidade instalada. Membro da WindEurope, SolarPower Europe, Hydrogen Europe, Ocean Energy Europe, European Association for Storage of Energy.