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Promovemos a transição energética com foco no uso eficiente de recursos, na sustentabilidade e ação climática.

Artigo

A ADENE e o caminho das políticas públicas na energia

18 de Março de 2026
Marina Alves
Diretora de Estratégia, Políticas e Projetos, ADENE

Tempo de leitura

4 minutos
“Torna-se evidente que a ADENE tem um papel insubstituível na construção do futuro energético de Portugal, sendo co-construtora, influenciadora e garante da sua qualidade.”

Ao longo das últimas décadas, Portugal tem enfrentado uma transformação no setor energético, impulsionada pelos desafios globais das crises climática e geopolítica, e pela consequente necessidade de garantir um sistema energético mais seguro, equitativo e sustentável. A necessária transformação tornou visível a urgência de respostas estruturais e eficazes, o que exige políticas públicas robustas, consistentes e fundamentadas, e no centro desta evolução tem estado, sistematicamente, a ADENE, cuja missão pública tem crescido em alcance, responsabilidade e impacto.

A ADENE tem desempenhado um papel determinante neste processo, apoiando o desenho, a implementação e a monitorização de instrumentos de política pública que orientam a transição energética do país. A continuada aposta no desenvolvimento de projetos de inovação e a capitalização dos seus resultados, têm contribuído para alavancar e melhorar atividades, potenciando a utilização do conhecimento no apoio à decisão em matéria de política pública.

Mas o seu contributo vai além do técnico, é estratégico e representa hoje um vetor de transformação social, económica e ambiental.

O percurso da ADENE tem vindo a mudar a forma de pensar a energia em Portugal: incidir no cidadão, no consumo da energia, na eficiência e na sustentabilidade, deixando o foco apenas na produção. Neste caminho, a literacia energética tornou-se uma pedra basilar. Uma sociedade informada compreende melhor o seu consumo, utiliza a energia de forma mais eficiente, adota comportamentos sustentáveis e participa ativamente nas decisões que moldam o seu futuro energético. A ADENE tem sido decisiva neste esforço, promovendo conhecimento acessível, empoderando consumidores e reforçando a capacidade de decisão de famílias, empresas e entidades públicas. Esta viragem demonstra uma tendência clara: a energia deixou de ser apenas um setor técnico para se tornar um pilar de política pública transversal, com impactes claros na economia, ambiente, inovação, competitividade e inclusão social.

A transição energética não é apenas tecnológica, é social e deve ser justa, e isso implica garantir que ninguém fica para trás no processo de descarbonização da matriz energética. Assim, só será possível se o cidadão for protagonista.

Hoje, a ADENE contribui ativamente para múltiplos instrumentos de política pública, alinhados com as diretrizes nacionais e europeias, e é reconhecida como:

    • interlocutor e agregador nacional no domínio da energia;

    • facilitador entre entidades públicas, privadas e académicas;

    • referência na capacitação técnica;

    • parceiro ativo na transição energética, com contributos estruturantes para políticas nacionais e europeias.

Entre as diversas áreas em que o seu contributo tem sido decisivo, a sua intervenção não é meramente operacional, é estratégica, sendo que participa na:

    • Conceção técnica de políticas, integrando grupos nacionais e internacionais de coordenação;

    • Operacionalização, assegurando plataformas, mecanismos de certificação, qualidade e monitorização;

    • Avaliação contínua, oferecendo ao país indicadores, diagnósticos e recomendações fundamentais.

Deste modo, é um motor das políticas públicas de energia, pois contribui, não só para as implementar, mas para as melhorar ao longo do tempo, numa perspetiva de continuidade. E este trabalho reflete uma mudança de paradigma: políticas públicas de energia são hoje políticas de cidadania, equidade e desenvolvimento socioeconómico.

Se há algo que define a robustez da ADENE é o seu corpo técnico altamente qualificado, cujas competências, experiência e compromisso têm sido essenciais para a evolução deste setor. Os seus recursos humanos, aliados às redes de cooperação, nacionais e internacionais, que a Agência tem vindo a consolidar, constituem uma base sólida para a próxima fase das políticas públicas, que exigirá mais especialização, maior capacidade de articulação e eficácia, e uma resposta rápida às transformações do setor energético global.

É esta combinação entre conhecimento técnico, visão estratégica e cooperação multissetorial que permite à ADENE planear, antecipar tendências, apoiar decisões políticas informadas e liderar soluções inovadoras para os desafios energéticos do país.

E se há algo que aprendemos, é que nenhum ator, sozinho, consegue assegurar uma transformação, pelo que o futuro exige:

    • Envolvimento da comunidade, porque a transição energética só terá sucesso se os cidadãos forem parte ativa das decisões;

    • Competências técnicas robustas, para assegurar que as soluções adotadas são eficazes, seguras, justas e sustentáveis;

    • Compromisso político consistente, com prioridades claras e objetivas para a estabilidade regulatória.

Assim, ao olhar para o que foi construído nas últimas décadas, torna-se evidente que a ADENE está na confluência destes três elementos, tendo um papel insubstituível na construção do futuro energético de Portugal, sendo co-construtora, influenciadora e garante da sua qualidade.

A energia mudou.

Portugal mudou.

E a ADENE tem sido uma das forças motrizes desta mudança, pela sua missão, pelo seu impacto e, sobretudo, pela excelência do seu corpo técnico. Este tem sido e continuará a ser um dos principais motores da transformação energética.

Sobre o autor

Marina Alves tem quinze anos de experiência nas áreas de energia, sustentabilidade e políticas públicas, no setor privado e público, incluindo a gestão de projetos, nacionais e internacionais, com equipas multidisciplinares. Atualmente, lidera a Direção de Estratégia, Políticas e Projetos na ADENE, onde é desenvolvido o planeamento estratégico, o apoio ao desenho, à implementação e à monitorização da política pública, bem como a gestão de projetos de inovação com financiamento europeu que desenvolvem as áreas temáticas da Agência. Integrou a equipa técnica de duas empresas de consultoria, trabalhando temas como a gestão de energia, política climática, alterações climáticas e mercados de carbono, após ter obtido experiência em projetos de inovação em eficiência energética e sustentabilidade numa empresa de Oil&Gas. Tem o Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, com especialização em Energia, pelo Instituto Superior Técnico, e o Mestrado Executivo em Liderança, pela Católica Lisbon School of Business and Economics. É Project Management Professional (PMP)®, pelo Project Management Institute.

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