“A energia não é apenas infraestrutura, é dignidade.” Foi com esta afirmação que Nelson Lage, Presidente da ADENE, abriu a sua intervenção como keynote speaker no Student Energy Summit 2026 (SES 2026), que decorreu este sábado no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, Brasil.
Para o responsável da ADENE, a transição energética só será verdadeiramente bem‑sucedida se for justa, inclusiva e centrada nas pessoas, alertando que os desafios de acesso à energia continuam a marcar profundamente a vida de milhões.
No palco principal, Nelson Lage abriu a conferência “Policy & Technology for the Just Energy Transition”, destacando que, apesar dos avanços tecnológicos, milhões de pessoas continuam excluídas do acesso a serviços energéticos básicos. O presidente da ADENE, lembrou que mais 666 milhões de pessoas continuam acesso a eletricidade, 1,6 mil milhões vivem com fornecimento demasiado instável para confiar na energia no dia a dia, e 2,3 mil milhões dependem ainda de combustíveis poluentes para cozinhar. “A energia é poder, é liberdade, é dignidade. A sua ausência condena gerações. A sua fragilidade limita vidas”, sublinhou.
Apesar da queda de cerca de 90% no custo da energia solar e aumento do armazenamento na última década, Nelson Lage alertou que a tecnologia, por si só, não garante equidade, ao afirmar que “a tecnologia pode incluir, mas sem políticas de equidade, também pode excluir. Se a energia limpa chega às cidades mas não chega às zonas rurais, a desigualdade aumenta.”
Durante a intervenção, o Presidente da ADENE destacou ainda o exemplo do programa brasileiro ‘Mais Luz Para a Amazónia’, que substitui geradores a diesel por sistemas solares com armazenamento, levando energia a comunidades isoladas. O Brasil conta atualmente com 212 sistemas elétricos isolados, que servem cerca de 3 milhões de pessoas ainda dependentes de soluções dispendiosas e poluentes. Para o presidente da ADENE, “a energia descentralizada não é apenas tecnologia. É autonomia, é oportunidade e desenvolvimento para as comunidades.”
A ADENE marcou também presença no painel técnico “Re‑envisioning Energy Policy for a Just Transition”, através da intervenção de Tiago Vicente, Coordenador de Informação e Educação e que alertou para a importância da literacia. “A transição energética mais do que uma questão tecnológica é uma transformação social, e para a qual é imprescindível a literacia energética e nível global.”, Afirmou Tiago Vicente.
Esta sessão que reuniu especialistas da UNICEF Brasil e do setor empresarial, teve como objetivo mobilizar os jovens líderes para a construção de soluções para sistemas energéticos mais equitativos, reforçando a importância da literacia energética à escala global.
Recorde-se que o Student Energy Summit 2026 reúne jovens líderes de mais de 100 países, especialistas internacionais, decisores públicos e organizações que trabalham para acelerar a transição energética e climática.
A presença da ADENE em Manaus reforça a cooperação com organizações brasileiras, universidades e redes internacionais, num momento em que Portugal e Brasil têm hoje condições únicas para construir pontes de cooperação, inovação, regulação e cidadania energética entre a América-Latina e a União Europeia.

